Assédio na carreira: como lidar

Infelizmente, muitas das mulheres que decidem ter uma carreira passam por um episódio de assédio em algum momento. Ao ouvir essa palavra, a maioria delas acaba pensando, de forma imediata, em assédio sexual, mas esse não é o único tipo de assédio que existe: o assédio moral também é muito presente em várias empresas e é fundamental que as profissionais saibam identificá-lo, lidar com ele e possam combatê-lo.

Vale dizer que o assédio, seja sexual ou mora, pode acontecer em qualquer carreira e com pessoas que desempenham funções de liderança ou não. Sendo assim, não é porque uma mulher está no cargo de chefia que ela não pode ser assediada. Apesar de ser um dado bem triste, essa é uma realidade que se vê em qualquer cargo.

Tipos de assédios

O assédio que as profissionais mais relatam ainda é o assédio sexual e é importante esclarecer que nem sempre ele é caracterizado por uma conduta mais agressiva. Muitas vezes, comentários de cunho sexual ou de duplo sentido já são suficientes para classificar a atitude do colega como um assédio.

Quando esses comentários acontecem de modo frequente ou em público, o caso é ainda mais grave. Normalmente, esse tipo de conduta vem de pessoas que estão na mesma faixa hierárquica ou em funções superiores.

Geralmente, as mulheres costumam associar o assédio à conduta indevida dos homens no seu local de trabalho, mas o assédio sexual também pode vir de outras mulheres. Afinal, existem homossexuais em praticamente todas as empresas e, se a importunação vier de outra mulher, também pode ser considerado assédio sexual.

Outra situação desagradável que muitas mulheres enfrentam em sua carreira é o assédio moral. Tratam-se de brincadeiras insistentes e desagradáveis, além de comentários sexistas, que fazem com que a mulher se sinta inferior ou constrangida.

Apesar de a sociedade estar mais atenta aos atos de preconceito, ainda existem casos em que a mulher ouve comentários como “Por isso agiu assim, porque é mulher”, “Está sensível porque está de TPM” e outros, que não cabem no lugar de trabalho, lembrando que eles também podem partir de outras mulheres.

Quando esses comentários e brincadeiras ferem o bem-estar da profissional, criando constrangimentos e tornando o ambiente de trabalho hostil, há a existência de assédio moral.

Como a mulher deve lidar com o assédio na carreira

Se a mulher for assediada sexualmente ou moralmente, ela sempre terá a opção de fazer a denúncia e até de processar os envolvidos. Todavia, ajuntar algumas provas é indispensável: por isso, quando essa mulher souber que estará perto do colega ou chefe que a assedia, é bom manter o gravador do celular ligado e guardar todo o registro.

Se quem assedia costuma passar a mão no corpo da mulher de forma discreta, como se fosse sem querer, essa mulher pode confrontá-lo em voz alta suficiente para que o gravador registre a conversa.  Se possível, uma dica é posicionar o celular de forma discreta no escritório, quando essa mulher souber que o assediador terá oportunidade, e registrar toda a sua ação.

Se a mulher não conseguir fazer nada disso, mas tem amigos no ambiente de trabalho, pode conversar com eles sobre a possibilidade de eles serem testemunhas dos assédios, no caso de uma denúncia formal.

Se o assédio é sexual, não há outra opção além de procurar a Delegacia da Mulher e fazer um boletim de ocorrência. Afinal, esse assediador pode se transformar em um estuprador a até mesmo importunar outras mulheres.

Por outro lado, quando se trata de um assédio moral, a mulher tem outro caminho antes de um processo: é a conversa com o seu chefe. Existe a ideia de que quando o assediador é o chefe, não há o que fazer, mas não é verdade: muitas vezes, esse indivíduo também tem um superior, a menos que se trate do próprio presidente da empresa.

Por isso, mandar um e-mail, pedir uma entrevista ou fazer uma ligação para a pessoa a qual o assediador responde é o primeiro passo. Todo o episódio do assédio precisa ser explicado e, atualmente, as empresas estão mais rigorosas com relação a essa conduta dos seus funcionários. É muito provável que a pessoa que cometeu o assédio moral seja advertida.

Se a empresa não tomar nenhuma providência ou se o assediador continuar agindo, pode-se abrir um processo por danos morais. Se a mulher estiver disposta, ela pode processar a empresa junto ao funcionário, mas somente em casos nos quais não houve nenhuma medida para sanar o problema.

É claro que um processo contra a empresa, provavelmente, resultará em demissão. Por isso, pode ser mais vantajoso deixar claro para o empregador que o processo é unicamente contra o colega, sem nenhuma menção à empresa em si. Antes de agir, contudo, a mulher deve consultar um advogado trabalhista.

Redação: Gabriele Ferreira


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